Mãe

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sábado, 28 de março de 2015

Para refletir!



Não deixe um bebê chorar
De todas as teorias do universo materno, as que
 me assustam são: não dar colo para o bebê, 
regular a amamentação em horários 
cronológicos e deixar o bebê chorando. 
Elas me pegam na alma.
Bebes não sabem falar, nasceram em um 
ambiente aquático, escuro, cheio de 
movimento e calor e estão do lado de fora.
Precisam ser alimentados, estranham. 
Descobrem no peito uma maneira de ter o 
aconchego pleno.
Basta ver uma cadela: quando o filhote chora a 
mãe corre e aconchega. Bebês não choram a toa
 e se choram estão pedindo:

- Por favor me ajude
Ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar 
com a temperatura que oscila.
Quando um bebê pede colo ele está 
reconhecendo que você é uma segurança.
Quando você nega esse colo ele pode se 
acostumar com a negligência e resignar-se. 
Mas ele não está feliz.
Eu adoro o conceito: permita que as crianças 
sejam dependentes no momento em que 
podem ser, para que sejam independentes 
para toda a vida.
O que mais vejo neste mundo são pessoas 
dependentes e resignadas.
Dependentes de comida, de medicamentos, 
de sexo, de necessidade de aceitação.
São, algumas vezes, sobreviventes de pequenos 
ou grandes abandonos.
Algumas vezes vendo esses programas que 
difundem a ideia da Torturadora de bebês eu 
sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe 
que chora, com o filho que dorme soluçando.
Não há nada mais fácil e prazeroso para mãe e 
bebê do que deitar junto com o bebe e dormir 
agarradinho.
É tão rápido que eles crescem. 
O que são 3 anos diante de uma vida toda?
Queremos tanto a independência precoce, 
exaltamos isso como troféu e depois 
questionamos onde se perdeu esse fio.
Eu vejo idosos abandonados com cuidadores ou 
em asilos e vejo ali o reflexo de uma sociedade 
que fecha os olhos para os dependentes 
trocando o amor por tecnologia, chupeta, 
mamadeira, berço que balança e no fim, uma 
cama fria e olhos de uma profissional 
contratada.
Assim começa a vida, assim ela termina. No 
meio um grande vazio que tentamos preencher.
 Um vazio cultivado em nome dessa ilusória 
independência precoce.

Creditos: Kalu Brum.

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