- Sexualidade precoce e suas conseqüências
-A precocidade e o aumento da atividade sexual
Tem sido observado nos últimos cinqüenta anos um aumento
dramático na atividade
sexual na adolescência, com conseqüente aumento no número de
gestações e na prevalência
de doenças sexualmente transmissíveis.
A partir da década de
30 começou a haver algumas mudanças. O amor passou a ser valorizado
sob todos os aspectos, principalmente o sexual, ainda que a
sexualidade continuasse vinculada à procriação.
Porém a opinião pública mostrava-se mais
tolerante em relação à sexualidade pré-nupcial, desde que os noivos se amassem e quisessem
levar uma vida a dois, mas continuava a reprovar as mães solteiras.
Os costumes, aos
poucos, vão se modificando, o
anti-concepcional feminino se generaliza e a sexualidade se
dissocia da procriação.
A idade da primeira relação sexual vem diminuindo no
decorrer dos anos. Entre 1938 e 1950 aproximadamente 7% das mulheres brancas nos EUA
tinham atividade sexual aos dezesseis anos .
Em 1960, 20% dos homens e 12% das mulheres
de 15 a 19
anos tinham atividade sexual. Na década de 70 esse percentual subiu para 55% para os homens e 46% para as mulheres .
Setenta por cento dos jovens
americanos aos dezoito anos já tiveram relações sexuais e metade deles não usa
preservativo. Praticamente cem por cento não usa camisinha na primeira relação
sexual.
A iniciação sexual na adolescência funciona como um rito de passagem da infância para a
idade adulta.
Muitas são as razões relatadas pelos adolescentes para
iniciar o sexo: curiosidade, urgência física, pressão grupal, prova de amor ao
parceiro, expressão de rebelião parental, social ou religiosa.
Um levantamento
sobre sexualidade, através de
entrevistas, com 4611 adolescentes americanas, de quinze a dezenove
anos. Noventa e dois por cento delas eram solteiras. Observou-se que, aos
quinze anos, 14% já tinham tido relação sexual e, aos dezenove anos, esse
percentual subiu para 46%.
A proporção de atividade sexual foi menor quanto
maior o status sócio-econômico e foi maior nas regiões metropolitanas do que na
área rural .
Netting (1992) realizou uma pesquisa entre estudantes
canadenses sobre comportamento sexual,
em 1980 e repetiu-a em 1990. Foi aplicado um questionário em 118
estudantes em 1980 e em 314 em 1990, no mesmo
local. Os resultados dos questionários foram comparados e analisados
estatisticamente.
A principal mudança da década foi a diminuição da virgindade
feminina, que baixou de 41% para 21%. Entre os estudantes sexualmente ativos, a
média de idade do primeiro intercurso não mudou: aproximadamente 16 anos para
os homens e 17 anos para as mulheres. Essa pesquisa, entretanto, não explica
quais os fatores envolvidos na diminuição da virgindade feminina nesta década.
Observou-se também diminuição da virgindade na adolescência,
na pesquisa feita, no Canadá.
Foi feito um levantamento
sobre sexualidade em uma escola secundária com 200 rapazes e 250 moças de 15 a
20 anos de idade.
Observou-se que 58.3% já tinham tido relação sexual, com
média de idade de 16,5 anos.
Em 1976, a percentagem era de 48,2%, com média de
idade de 17,3 anos.
Na França, os
valores se inverteram em relação à virgindade.
Hoje, segundo Dolto (1988), as
meninas que já tiveram relação sexual são mais valorizadas .
Uma pesquisa brasileira sobre o comportamento sexual do
jovem universitário foi feita em Porto Alegre por Souza.
Seiscentos e
oitenta e dois jovens de 16 a 22 anos responderam a um questionário fechado.
Observou-se que:
-55,3% das mulheres e 91,7% dos homens já tinham tido
relações sexuais genitais;
-em 93,9% das mulheres e em 99,6% dos homens as relações
sexuais foram pré-
matrimoniais;
-a idade média da primeira relação sexual foi de 17 anos nas
mulheres e de 15 anos
entre os homens.
Foi realizado pela BENFAM inquérito sobre a saúde
reprodutiva e sexualidade do
jovem de ambos os sexos em três grandes centros urbanos
brasileiros: Rio de Janeiro, Curitiba e Recife.
Foram feitas entrevistas domiciliares com jovens de 15 a 24 anos.
Os resultados mostraram que 70% dos homens e 42% das mulheres do Rio de
Janeiro, 38% das de Curitiba
e 25% das de Recife tiveram relação sexual antes de casar. A
maioria das mulheres tiveram intercurso com o namorado ou noivo e 50% dos homens com
amigas.
Um levantamento das características psicossexuais de
calouros universitários foi feito na UNICAMP.
Foram utilizados questionários com 45 itens de
múltipla escolha.
Duzentos e quarenta estudantes responderam ao questionário.
Eles
evidenciaram que 44% dos jovens já tinham tido relação sexual: 28% deles com menos de dezesseis
anos, 45% entre 17 e 18 anos e 27% com 19 anos ou mais.
No Rio de Janeiro, Doering, realizou pesquisa com cem
adolescentes do sexo feminino.
Cinqüenta delas foram atendidas em serviço
público e cinqüenta em consultório particular.
Foi feito um questionário com 24 perguntas, abertas e
fechadas.
Observou-se que a idade média de início da atividade sexual das atendidas na
clínica privada foi de 17,02 anos e, entre as atendidas no serviço público,
a média foi de 14,94 anos.
Esses dados são indicativos da influência de fatores sócio-econômicos
no início da atividade sexual.
No estado de São Paulo, entre 1970 e 1980 a proporção de
mães de 15 anos aumentou 300% e as de 16 anos 126%.
No hospital universitário da
UNICAMP, houve uma redução na freqüência de partos entre adolescentes com 19 anos ou menos
no período de 1977 a 1990.
Porém houve um aumento de 12.2% de partos entre gestantes de 16 anos ou menos.
Esses dados apontam um possível "rejuvenescimento" na
idade de parturição na adolescência.
Ou seja, as adolescentes estão
iniciando a atividade sexual provavelmente mais cedo, apesar de várias
pesquisas epidemiológicas demonstrarem um aumento da atividade sexual na
adolescência.